Capítulo 1- Making sense of Management

INTRODUÇÃO


Este capítulo tem como objetivo explicar como o conceito e o sentido que damos a Administração e Gestão foi construído. Cabe lembrar a primeira aula de Organizações que tivemos neste semestre, em que o professor da disciplina questionou os alunos a definirem Administração. Apesar de parecer um conceito simples, muitas opiniões divergentes surgiram com esse questionamento. Os alunos definiram Administração como Controle, Organização, Vigilância até Liderança, Motivação, entre outros. Este capítulo busca responder exatamente esse questionamento ao abordar como o pensamento moderno de administração e organização se originou. Para entender a administração é necessário entender o progresso do pensamento administrativo como uma história coerente.

CONTEXTUALIZAÇÃO

  • Introdução da ideia de administração de empresas
Para se entender a ideia de administração de empresas é necessário estabelecer-se que exista uma instituição a ser administrada, ou seja, um agrupamento de pessoas que se relacionem num determinado ambiente, físico ou não, orientadas para um objetivo comum que é a empresa. Empresa, aqui significa o empreendimento, os esforços humanos organizados, feitos em comum, com um fim específico, um objetivo. As instituições (empresas) podem ser públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos.
Atualmente se utiliza esta palavra para designar os estabelecimentos comerciais, industriais, de serviços, etc., grandes ou pequenos, o que não revela seu sentido no título da profissão.
A necessidade de organizar os estabelecimentos nascidos com a revolução industrial levou os profissionais de outras áreas mais antigas e maduras a buscar soluções específicas para problemas que não existiam antes. Assim a pesquisa de métodos especiais para administrar estes empreendimentos deu origem aos rudimentos da ciência da administração.
Não se deve confundir a gerência de uma casa ou de nossa vida pessoal que tem sua arte própria, porém empírica com a gerência de uma instituição, considere aqui este termo como genérico para empreendimento, empresa.


  • Desenvolvimento do conceito
Como ciência, é um ramo das Ciências Humanas, ditas sociais, pois trata dos agrupamentos humanos. Do ponto de vista histórico, ao longo do tempo, é uma especialização do Direito, como também da Economia. Desde tempos primitivos os homens, reunidos em tribos com o fito de defenderem-se, desenvolvem as relações que obedecem às regras do Direito. Estas relações quando puderem ser mensuradas quantitativamente seguem princípios da Economia. Outras instituições, sem fins lucrativos, medem o retorno do investimento de seus esforços pela satisfação das necessidades do seu público, de qualquer forma precisam ser administradas.
Daí a ciência da administração parecer-se, mas não se confundir com o direito e com a economia, que são hoje suas ciências de base e apoio, bem como a Matemática Financeira, a Contabilidade, a Estatística. São igualmente importantes para a ciência da administração a Psicologia e a Sociologia. Sem esquecermos da Informática.
Instituições de Direito Público ou Instituições de Direito Privado criadas para fins lucrativos ou para finalidades sociais, dependem da ciência da administração para funcionarem, assim como o veículo precisa do piloto para o conduzir.
A administração é uma ciência fundamentada em um conjunto de normas e funções elaboradas para disciplinar elementos de produção. A administração estuda os empreendimentos humanos com o objetivo de alcançar um resultado eficaz e retorno financeiro de forma sustentável e com responsabilidade social. Administrar envolve a elaboração de planos, pareceres, relatórios,projetos, arbitragens e laudos, em que é exigida a aplicação de conhecimentos inerentes às técnicas de Administração.
A profissão de administrador é historicamente recente e foi regulamentada no Brasil em 9 de Setembro de 1965, data em que se comemora o Dia do Administrador.
Os primeiros administradores profissionais (administrador contratado, que não é o dono do negócio) foram os que geriram as companhias de navegação inglesas a partir do Século XVII.
Segundo Jonh W. Riegel, "o êxito do desenvolvimento de executivos em uma empresa é resultado, em grande parte, da atuação e da capacidade dos seus gerentes no seu papel de educadores.Cada superior assume este papel quando ele procura orientar e facilitar os esforços dos seus subordinados para se desenvolverem".



PRINCIPAIS CONCEITOS

  • A transição das formas tradicionais de produção para a burocracia


Administração e organização, no início, não eram o foco das pequenas empresas existentes: eram mais encontradas em outras entidades, como os monastérios e as forças armadas. Para os proprietários dos empreendimentos, o que valia era ter capacidade de comprar e vender bens suficientes apenas à sua sobrevivência. A princípio, não houve uma transferência direta dessa cultura das igrejas para as empresas. Estas começaram a ter regras à medida em que emergia o capitalismo industrial.
Assim, se antes os objetivos dos proprietários eram apenas garantir sua sobrevivência, agora passaram a buscar maximizar seus lucros. Com isso, toda a estrutura de suas manufaturas eram voltadas para esse fim. Dessa forma, pode-se considerar que, até hoje, esse é o principal objetivo das organizações privadas.
Diante desse cenário, as estruturas organizacionais eram sempre adaptadas, com as contribuições de cientistas pesquisadores da administração, até se chegar às formas burocráticas.
Se tradicionalmente buscou-se a utilização de escravos, ou outras formas de mão-de-obra barata a fim de reduzir custos, em seguida estudou-se formas de controle, para que fossem criados trabalhadores auto-disciplinados, objetivos dos trabalhos de Bentham e Taylor. Apenas fazendo uma conexão, as próprias formas de dominação, e mesmo conceitos atuais como soft-domination, empowermment, trabalho em equipes, nada mais são do que formas modernas de otimizar o trabalho nas empresas, o que, bem no fundo, é uma forma de trazer mais lucros aos proprietários.
Pontualmente, acredita-se que a burocracia (ver capítulo 2) começou a tomar forma com o aumento de escala das empresas.
Dessa forma, algumas das mudanças mais importantes estão relacionadas à escala da produção. Primeiramente, vale salientar que as formas de vigilância existentes estavam em sinergia com a produção em pequena escala, onde o número a ser supervisionado não era tão grande, podendo as organizações serem administradas por um único diretor. Um fator que limitava o tamanho da produção eram as formas de crédito disponíveis na época.
Inicialmente, o capital que financiava as atividades das organizações era advindo do patrimônio familiar dos sócios, ou seja, era financiado com recursos privados, e a expansão ocorria através dos lucros retidos e de novos investimentos. Porém, mesmo que as operações da empresa representassem parcela significativa no financiamento da empresa, os altos investimentos iniciais ainda denotava grande dependência em relação aos recursos pessoais dos proprietários. Dessa forma, crescer significava gastar mais, do ponto de vista do dono da empresa, e a capacidade de evolução das organizações dependia diretamente da força finenceira dos seus donos. Considerando tais fatos, em uma empresa de pequena escala, onde o gestor poderia ter maior controle da produção, seus recursos financeiros também estavam melhores assegurados.
Diante de tal situação, foi criada uma legislação, conhecida como limited liability, buscou separar o patrimônio da empresa do dos donos, limitando o capital que os sócios poderiam investir em seus empreendimentos. Assim, caso a organização viesse à falência, os recursos dos proprietários eram utilizados para saldar as dívidas, evitando a prisão dos sócios. Com isso, abriu-se espaço para que as fábricas aumentassem de escala.
O dilema agora era como administrar as grandes organizações. A solução para isso foi o contrato social, onde os trabalhadores detinham da força e do material de trabalho, e utilizavam a estrutura das indústrias para a produção. Assim, o acordo era que eles entregassem apenas uma parcela do que produzissem, incentivando-se assim o cooperativismo, e diminuindo-se as pressões, tanto no que diz respeito aos padrões da produção, como ao retorno financeiro dos proprietários. O cooperativismo, ou união dos trabalhadores, por outro lado, aumentaram as pressões por melhores condições de trabalho, como padronização das rotinas, maior segurança, melhores políticas de pagamentos, etc. Dado isso, estavam formadas as bases das organizações burocráticas.



  • O significado do termo "mão-de-obra" nesse processo


Os autores defendem a idéia de que, mesmo antes do surgimento das teorias formais da administração, os gestores das fábricas já tinham que administrar a mão-de-obra empregada – ou hands. O termo hands deriva do fato de serem empregados pelo que fazem com as mãos: eram como máquinas pensantes habilidosas em seu trabalho manual. Nesse sentido, as “mãos” eram supervisionadas e vigiadas, literalmente. Assim, enquanto uns eram empregados para supervisionar os trabalhadores, a grande maioria era contratada apenas para usar as mãos.
A origem do termo “hand”, porém, vem de antes das indústrias têxteis britânicas. Como é dito no texto, nem todas as “hands” eram sujeitas à vigilância. No início da indústria de gado, por exemplo, seus trabalhadores eram conhecidos como “ranch hands”, que eram livres, ao contrário dos trabalhadores confinados nas fábricas. Por conta disso, percebe-se que o que denominava o termo hand não era o fato de estarem sob vigilância e controle, mas unicamente o contexto do trabalho braçal, ou melhor, manual, que realizavam. No caso das fábricas, era a situação, ou a natureza do trabalho, que exigia a supervisão. Assim, nesse espaço de confinamento surgiram não só indivíduos hábeis e disciplinados, mas também grandes gestores, que administravam a mão-de-obra e procurava maneiras de aumentar a produtividade fabril.
Como defendeu Adam Smith, a divisão do trabalho, gerando funções cada vez mais especializadas dos hands, bem como toda a estrutura de supervisão e controle, contribuíram para a sistematização do trabalho, bem como a padronização e aumentou a produtividade.
Dessa forma, a importância da mão-de-obra nessa transição foi justamente o fato de terem feito parte do processo, mas não como meros coadjuvantes da história, mas como peças-chave no desenvolvimento de toda a forma burocrática. Isso porque esta foi apenas mais uma tentativa de administrar melhor, de supervisionar a mão-de-obra.

  • Algumas personalidades importantes

Bentham

Jeremy Bentham foi um filósofo utilitarista que buscou desenvolver o design de uma organização racional para aumentar o controle e vigilância. Este design ficou conhecido como Panóptico.

Planta do Panóptico
Planta do Panóptico

O objetivo do Panóptico é tornar o trabalho o mais visível possível pelo supervisor ou “grande olho” para que assim o controle sobre os subordinados seja maximizado. A principal relevância deste complexo modelo de arquitetura é a relação particular que existe entre “aquele que tudo vê” e “aquele que esta sendo observado”. O funcionário que está sendo observado não consegue ver o supervisor que esta o vigiando. Conseqüentemente, o controle é mantido graças a essa sensação constante de estar sob vigilância. Como foi considerada a primeira "melhor maneira" de promover o controle em organizações de larga escala, o Panóptico foi aplicado como modelo em diversos tipos de organização como escolas, hospitais, indústrias,etc. Como exemplo, temos, a seguir, uma foto do interior de uma penitenciária americana do século XX:

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Interior de prisão americana (século XX)



Foucault

Michel Foucault foi o pensador que disseminou o conceito do Panóptico, tornando-o um instrumento de governança e reforma. O principio chave é a vigilância por aquele que tudo vê e não é visto. Não importava se os subordinados estavam sendo, de fato, vigiados. Eles só saberiam que eles estavam sob constante risco de estarem sendo observados. O objetivo era produzir auto-disciplina.
É interessante notar que apesar de não existir atualmente um modelo arquitetônico como o Panóptico, todos nós vivemos sob alguma forma de vigilância. Podemos citar como exemplo disso mecanismos de controle da própria FGV, tais como a carteirinha de acesso, as chamadas de presenças, entre outros. Como citado no texto, o Panóptico não é mais feito de tijolos, mas ainda existe.
Atualmente, o controle e avigilância sugeridos pelo Panóptico, podem ser vistos nas câmeras de segurança que estão presentes em todos os lugares. Alguns exemplos extremos foram veiculados recentemente na mídia. Seguem as manchetes:

"Contra danos, escola instala câmeras nos banheiros "(Folha de S. Paulo-2006)

"Pai poderá vigiar filho durante a aula"(Folha de S. Paulo-2009)


Podemos ilustrar também o conceito de vigilânica e controle com o filme "O Show de Truman", o qual retrata a história de um homem que tem sua vida completamente vigiada, sendo um programa de TV. É um caso extremo da utilização de câmeras:



F. W. Taylor e a Administração Científica

picture_frederick_winslow_taylor.jpgTaylor foi um dos pensadores que teve maior influência sobre o sentido que damos hoje a gestão. Ele foi o responsável pelo desenvolvimento da administração científica, cujas características incluem racionalidade, eficiência, tempo e a “melhor maneira de realizar cada atividade”. Em seu trabalho, Taylor desenvolveu quatro princípios da administração científica:
Desenvolver um trabalho científico: detalhar os movimentos do trabalhador e o tempo em que ele faz a tarefa. Dessa maneira, poderiam ser melhoradas as instalações do local de trabalho e as ferramentas utilizadas para gerar mais produção em menos tempo.
Selecionar e treinar cientificamente o trabalhador: cada trabalhador é melhor em uma coisa. Logo, cabe ao administrador treinar e alocar o melhor funcionário para determinada tarefa. Assim, a organização aproveitará ao máximo o potencial de seus recursos humanos.
Combinar o trabalho científico com o treinamento de trabalhadores: uma vez que o trabalhador percebe a importância de fazer suas atividades, ele será beneficiado com salários maiores.
A alta administração e os trabalhadores devem se especializar e colaborar:
A gestão tem de ser focada na parte mental do trabalho, enquanto o trabalhador deve ser focado na parte operacional. Se cada parte fizer o seu, os conflitos no ambiente de trabalho serão eliminados.


















Os princípios, a racionalidade e o trabalho desenvolvido por Taylor influenciou o pensamento moderno de administração. Até hoje, notamos que os conceitos de controle, eficiência e padronização fazem parte do sentindo que damos a gestão graças a Administração Científica. Por exemplo, todo momento em que “total quality management”, “reengenharia de processos”, entre outros são introduzidos em empresas, algum elemento do Taylorismo está sendo reproduzido.



O contraponto feito por Henri Fayol a respeito da autoridade


O contraponto feito por Fayol foi de que uma boa administração não deve se focar somente em tornar o trabalho mais eficiente e disciplinas os funcionários, mas também em treinar a alta administração. O treinamento deve preparar os administradores a planejarem, organizarem, comandarem, coordenarem e controlarem o trabalho a fim de otimizar sua performance.
O programa de treinamento de Fayol incluía catorze princípios:
1) Especialização do trabalho
2) Autoridade
3) Disciplina
4) Unidade de comando
5) Unidade de direção
6) Subordinação dos interesses individuais pelos da organização
7) Política de remuneração
8) Centralizacão
9) Cadeia de comando e autoridade
10) Organização de materiais e pessoas
11) Respeito no tratamento dos funcionários
12) Limitar a rotatividade de funcionários
13) Iniciativa e pró-atividade
14) Esprit de corps (harmonia e coesão entre membros da organização)




As idéias de Elton Mayo sobre gestão e colaboração

Mayo defendia uma sociedade de integração ao invés de conflito. Introduziu conceitos da psicologia paraexternal image Elton%20Mayo%206.jpg poder explicar e resolver o problema de funcionários insatisfeitos. Mayo também se associou ao Hawthorne Studies.
  • Hawthorne Studies
Um experimento conduzido numa sessão da Western Electrics buscava achar relações entre iluminação, temperatura,...e a produtividade dos funcionários. O que se descobriu, no entanto, foi que o que estava afetando de fato a produtividade dos funcionários era de ordem psicológica e não física.
As pessoas do grupo analisado criaram relações sociais entre si,formando um grupo informal, além de que se sentiram mais valorizadas. Isto tudo, de acordo com Mayo, foi o que fez a produtividade aumentar.

  • Escola de Relações Humanas
Mayo, assim, desenvolveu a escola de Relações Humanas. Ela propunha a importância de questões como o grupo de trabalho informal e outras de ordem psicológica e social para, assim, aumentar a produtividade. Introduziu também tópicos como: motivação, competências sociais na administração, entre outros.

Mary Parker Folletexternal image Mary%20Parker%20Follet%202.jpg

Follet defendia a idéia de que gerentes e funcionários trabalhassem juntos não apenas visando produtividade, mas também "justiça social". Suas idéias foram formuladas nos três princípios abaixo:
1. Funções são áreas específicas de uma organização, demandando autoridade e responsabilidade para que sejam cumpridas.
2. Pessoas devem administrar sua responsabilidade e integrá-la às funões de outros.
3. Autoridade vêm de algué que possui legitimidade e exerce poder.

As idéias de Chester Barnard

external image barnard-chester.jpgBarnard se preocupou em desenvolver o conceito de liderança. Seus princípios chave são:
1. Comportamento individual é sempre variável e não pode ser facilmente previsto
2. Indivíduos possuem uma "zona de indiferença" em que procuram apenas concordar com o outro, sem questionar a autoridade. Os gerentes têm que extender esta zona.
3. Comunicação é essencial para a tomada de decisão. Todos devem ter acesso a ela, sendo que ela deve ser a mais direta e fácil possível.
4. O papel do gerente é fazer os grupos informais trabalharem para a organização, e não contra.
5. Autoridade só existe se pessoas estão dispostar a aceitá-la.

KEY WORDS

  • Freemen and Slaves
  • Limited liability legislation (p.12)
  • Internal contractor (p.13)
  • To manage “hands” (o.14)
  • Space - spatial concentration and encasing
  • Panopticon
  • Rationality
  • Empirically
  • Padronização
  • Unit of command
  • Social Integration – Mayo
  • Informal social groups
  • Moral role for management / Moral leadership
  • Zone of indifference
  • Democratic ideals
  • Empirical duty
  • Legitimate authority
  • Civility
  • Long-wave cyclical changes
  • Rational rhethoric (upswing)
  • Normative rhethoric (downswing)
  • Human side of business, it is often seen as the oil that is necessary to run smoothly the machine that Taylor designed
  • Management and organizational theory are always highly bounded by the contexts in which they were developed


REFERÊNCIAS BIBLIGRÁFICAS


CLEGG, S., KORNBERGER, M., PITSIS T. "Managing and Organizations - An Introduction to Theory and Practice". Sage Publications 2005, Chapter 1 "Making sense of Management"

http://images.google.com.br/
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u19165.shtml
http://www.youtube.com/