As relações atualmente, principalmente quando nos referimos às empresas e ao mundo dos negócios, são burocráticas. Esse termo é muito abordado, inclusive tornando-se uma forma pejorativa de falar sobre as situações que exigem muitos passos e papéis.
Mas o que realmente é a Burocracia? Qual é a sua importância e a sua desvantagem?
Veja também no capítulo 1 como ocorreu a transição das formas tradicionais de produção para a burocracia, para perceber com mais clareza o contexto dessa forma de gestão.
Contexto
Atualmente existe uma grande discussão em torno da burocracia e das novas formas de gestão e, em muitos casos, a burocracia é atacada como sendo algo ultrapassado e prejudicial às empresas. É verdade que as novas formas de gestão oferecem maior espaço à inovação, fator bastante relevante no contexto do mundo nas últimas décadas, principalmente com a globalização . É importante, no entanto, reconhecer a burocracia como um modelo, uma forma de gestão válida e compreender suas eventuais qualidades.
Ao estabelecer as qualidades e defeitos de cada método é possível aproveitar-se das qualidades de cada um e conseguir maior aproveitamento dos recursos da empresa, garantindo, assim, um grande objetivo das organizações - maior lucratividade e manter-se competitivo. Vale lembrar que, como o próprio nome sugere, os modelos de gestão são modelos, tipos ideais, e que não são aplicados na prática em sua totalidade, havendo sempre a influência de outros modelos e teorias.
Principais Conceitos
A burocracia já está tão enraizada na vida das pessoas que acabou por dominar todas as esferas dos relacionamentos. Contrariamente a todas as críticas a este modelo, dizem que a burocracia dá sentido à existência do homem e que, sem ela, o homem fica sem direcionamento.
As regras, além de regulamentarem as práticas dentro da empresa, guiam e orientam as ações humanas. Através do cumprimento do que foi estipulado, é possível criar a sensação de dever cumprido e de estar inserido no grupo, assim as pessoas podes sentir-se confortáveis dentro das diversas situações. Por este motivo, apesar de criticar as regras e a rotina da escola, é justamente pela falta delas que Felipe - o amiguinho da Mafalda - se sente perdido e "sem rumo".
Outro ponto importante a ser considerado quando se pensa em regras é que estas estão intimamente ligadas às interpretações dadas pelas pessoas. Sendo assim, pode-se dizer que a interpretação da pessoa e os motivos pelos quais estas se motivam a seguir as regras (coasão, calculativo ou normativo) são fundamentais para o entendimento das organizações e da sua estrutura interna. A seguir, uma breve interpretação dos motivos que levam alguém a seguir regras:
Coasão: "faço porque não tenho escolha";
Lógico, calculativo: "faço porque estou sendo pago e é dos meus interesses"
Normativo: "faço porque é meu dever"
Todos os modelos têm suas vantagens porém, há também críticas. A burocracia não é diferente. É possível ressaltar como críticos do modelo burocrático Lindblom e Cocket, que apontaram uma série de "patologias" da burocracia visando desconstruí-la. Dentre os argumentos contra o modelo de Weber, destes e de outros autores, é possível citar:
A burocracia esconde interesses de determinadas partes, beneficia determinados tipos de membros;
Pessoas não precisam pensar no que fazer, a burocracia e suas regras cuidam de dar o sentido às suas vidas;
Limita as pessoas a agirem em determinados espaços, freia a criatividade e a inovação;
A burocracia orienta a sua ação para acontecimentos passados;
Um termo recentemete usado para caracterizar empresas burocráticas é McDonaldization, podendo ser usado tanto para explicar como para denegrir a imagem das organizações, dependendo do contexto em que é colocado. O conceito representa as empresas com racionalidade instrumental (vide capítulo 2), redução de custos através da padronização dos produtos e o controle sobre a produção. Em geral, pode-se considerar diversas redes de lojas e fast-foods que, não importa em qual país se esteja, encontrar-se-á o mesmo ambiente, desde a decoração até o atendimento são parecidos, e os produtos, na medida do posível, são iguais. É a partir dessa idéia que o termo surge, fazendo uma alusão a rede mundialmente conhecida, McDonald's.
Seguindo o mesmo raciocínio, existem dois padrões de empresa bastante conhecidos.
- Exploitation: baseado na exploração dos recursos, padronização, rotinização, disciplina. Este modelo inibe a inovação, restringindo as operações da empresa às técnicas conhecidas. Há, porém, ganho em escala oferecendo menores preços aos consumidores e maiores taxas de lucro à empresa. Empresas que adotam este modelo podem simplesmente esperar que haja inovação de outras partes e aprender a manuseá-la, caso ocorra.
- Exploration: neste outro modelo a inovação e a criatividade são valorizados. As empresas buscam diferentes soluções e lidam com o desconhecido. Esta forma de produzir diminui a eficiência, porém é ideal quando a empresa foca em oferecer produtos inovadores aos seus clientes.
Atualmente, são considerados novos modelos organizacionais, aquelas empresas híbridas, que conseguem balancear suas atividades entre exploration e exploitation. Dessa forma, conseguem ganhar em escala com a redução dos custo de fabricação sem deixar de investir em novos produtos e inovação (exploration).
No vídeo da Apple que se segue, pode-se perceber o padrão seguido por todos, mesmos movimentos garantindo a eficiência do processo final, processo característico do taylorismo. Há porém, uma pessoa que quebra com o ciclo e age de forma muito diferente da anterior, quebrando com o pensamento anterior. Essa ruptura ilustra a inovação, representando o surgimento do Macintosh em 1984.
O vídeo abaixo é uma palestra sobre o tema exploration e exploitation para quem tiver interesse em conhecer uma visão mais prática dessa discussão. Quebra com a idéia de que exploration é a melhor maneira de agir, já que apenas 10% das inovações técnológicas tornam-se negócios lucrativos, ressaltando a dificuldade e o risco de lidar com a inovação.
VIDEO MARTIN DE BEER (CISCO COMPANY) - EXPLORATION X EXPLOITATION X ORGANIZACIONAL CULTURE
Referências Bibliográficas
CLEGG, KORNBERGER e PITSIS. Managing and Organizations - An Introduction to Theory and Practice. Sage Publications, 2005.
“In fact, bureaucracies are far from ideal vehicles for rational action and efficient outcomes. A number of studies suggested that breaking the rules rather than following them could often produce more efficient outcomes”
Capítulo 3 - Gerindo RealidadesIntrodução
As relações atualmente, principalmente quando nos referimos às empresas e ao mundo dos negócios, são burocráticas. Esse termo é muito abordado, inclusive tornando-se uma forma pejorativa de falar sobre as situações que exigem muitos passos e papéis.
Mas o que realmente é a Burocracia? Qual é a sua importância e a sua desvantagem?
Veja também no capítulo 1 como ocorreu a transição das formas tradicionais de produção para a burocracia, para perceber com mais clareza o contexto dessa forma de gestão.
Contexto
Atualmente existe uma grande discussão em torno da burocracia e das novas formas de gestão e, em muitos casos, a burocracia é atacada como sendo algo ultrapassado e prejudicial às empresas. É verdade que as novas formas de gestão oferecem maior espaço à inovação, fator bastante relevante no contexto do mundo nas últimas décadas, principalmente com a globalização . É importante, no entanto, reconhecer a burocracia como um modelo, uma forma de gestão válida e compreender suas eventuais qualidades.
Ao estabelecer as qualidades e defeitos de cada método é possível aproveitar-se das qualidades de cada um e conseguir maior aproveitamento dos recursos da empresa, garantindo, assim, um grande objetivo das organizações - maior lucratividade e manter-se competitivo. Vale lembrar que, como o próprio nome sugere, os modelos de gestão são modelos, tipos ideais, e que não são aplicados na prática em sua totalidade, havendo sempre a influência de outros modelos e teorias.
Principais Conceitos
A burocracia já está tão enraizada na vida das pessoas que acabou por dominar todas as esferas dos relacionamentos. Contrariamente a todas as críticas a este modelo, dizem que a burocracia dá sentido à existência do homem e que, sem ela, o homem fica sem direcionamento.As regras, além de regulamentarem as práticas dentro da empresa, guiam e orientam as ações humanas. Através do cumprimento do que foi estipulado, é possível criar a sensação de dever cumprido e de estar inserido no grupo, assim as pessoas podes sentir-se confortáveis dentro das diversas situações. Por este motivo, apesar de criticar as regras e a rotina da escola, é justamente pela falta delas que Felipe - o amiguinho da Mafalda - se sente perdido e "sem rumo".
Outro ponto importante a ser considerado quando se pensa em regras é que estas estão intimamente ligadas às interpretações dadas pelas pessoas. Sendo assim, pode-se dizer que a interpretação da pessoa e os motivos pelos quais estas se motivam a seguir as regras (coasão, calculativo ou normativo) são fundamentais para o entendimento das organizações e da sua estrutura interna. A seguir, uma breve interpretação dos motivos que levam alguém a seguir regras:
Todos os modelos têm suas vantagens porém, há também críticas. A burocracia não é diferente. É possível ressaltar como críticos do modelo burocrático Lindblom e Cocket, que apontaram uma série de "patologias" da burocracia visando desconstruí-la. Dentre os argumentos contra o modelo de Weber, destes e de outros autores, é possível citar:
Um termo recentemete usado para caracterizar empresas burocráticas é McDonaldization, podendo ser usado tanto para explicar como para denegrir a imagem das organizações, dependendo do contexto em que é colocado. O conceito representa as empresas com racionalidade instrumental (vide capítulo 2), redução de custos através da padronização dos produtos e o controle sobre a produção. Em geral, pode-se considerar diversas redes de lojas e fast-foods que, não importa em qual país se esteja, encontrar-se-á o mesmo ambiente, desde a decoração até o atendimento são parecidos, e os produtos, na medida do posível, são iguais. É a partir dessa idéia que o termo surge, fazendo uma alusão a rede mundialmente conhecida, McDonald's.
- Exploitation: baseado na exploração dos recursos, padronização, rotinização, disciplina. Este modelo inibe a inovação, restringindo as operações da empresa às técnicas conhecidas. Há, porém, ganho em escala oferecendo menores preços aos consumidores e maiores taxas de lucro à empresa. Empresas que adotam este modelo podem simplesmente esperar que haja inovação de outras partes e aprender a manuseá-la, caso ocorra.
- Exploration: neste outro modelo a inovação e a criatividade são valorizados. As empresas buscam diferentes soluções e lidam com o desconhecido. Esta forma de produzir diminui a eficiência, porém é ideal quando a empresa foca em oferecer produtos inovadores aos seus clientes.
Atualmente, são considerados novos modelos organizacionais, aquelas empresas híbridas, que conseguem balancear suas atividades entre exploration e exploitation. Dessa forma, conseguem ganhar em escala com a redução dos custo de fabricação sem deixar de investir em novos produtos e inovação (exploration).
No vídeo da Apple que se segue, pode-se perceber o padrão seguido por todos, mesmos movimentos garantindo a eficiência do processo final, processo característico do taylorismo. Há porém, uma pessoa que quebra com o ciclo e age de forma muito diferente da anterior, quebrando com o pensamento anterior. Essa ruptura ilustra a inovação, representando o surgimento do Macintosh em 1984.
APPLE MACINTOSH 1984 SPOT from diego lopez on Vimeo.
O vídeo abaixo é uma palestra sobre o tema exploration e exploitation para quem tiver interesse em conhecer uma visão mais prática dessa discussão. Quebra com a idéia de que exploration é a melhor maneira de agir, já que apenas 10% das inovações técnológicas tornam-se negócios lucrativos, ressaltando a dificuldade e o risco de lidar com a inovação.
VIDEO MARTIN DE BEER (CISCO COMPANY) - EXPLORATION X EXPLOITATION X ORGANIZACIONAL CULTURE
Referências Bibliográficas
CLEGG, KORNBERGER e PITSIS. Managing and Organizations - An Introduction to Theory and Practice. Sage Publications, 2005.
“In fact, bureaucracies are far from ideal vehicles for rational action and efficient outcomes. A number of studies suggested that breaking the rules rather than following them could often produce more efficient outcomes”