CAPÍTULO 8 - MANAGING CULTURES



INTRODUÇÃO À CULTURA ORGANIZACIONAL

Uma cultura fortalecida pode exercer forte influência no sucesso, inclusive financeiro, de uma empresa. Para ser considerada uma cultura forte e de qualidade é preciso contar com valores relacionados ao core business e, além disso, estes valores precisam ser compartilhados, disseminados e presentes na forma de agir dos colaboradores. Estes padrões refletem as percepções, pensamentos e sentimentos dos membros da organização, de forma que conforme o comprometimento e as crenças são compartilhados, a boa moral, performance e resultados surgem como consequência contribuindo para o sucesso corportativo.

Há teorias que defendem que a cultura organizacional tende a ser mais fragmentada do que unitária, e que não necessariamente há uma cultura dominante. É natural que a cultura seja composta por diversas identidades (incluindo sociais: ocupação, região, classe, etnia, gênero...), sendo que, para advogados, o termo organizational culture envolve muitas subculturas organizacionais.

Independentemente da abordagem utilizada, tem-se como certo que enteder a organização significa entender sua cultura.


CONTEXTO NAS ORGANIZAÇÕES: A IMPORTÂNCIA DA CULTURA

A cultura, além de ser algo naturalmente constituído, é importante para o fortalecimento de determinado grupo. Uma cultura fortalecida fornece senso de identidade, garante estabilidade e evidencia o estabelecimento de vínculos. Cada membro de uma equipe contribui e interfere na cultura que é formada, mas a cultura institucional estimula um comprometimento que ultrapassa os interesses individuais, o que torna a cultura também um mecanismo de controle e padronização dos individuos dentro da realidade coorporativa.

A cultura não é mais ligada a domesticação e valores fortes, como a lealdade, mas pode ser vista como uma forma de Soft domination , onde todos respeitam e conhecem a organização e desta forma são dominados.


PRINCIPAIS CONCEITOS

CONCEITO DE CULTURA
• De acordo com o Funcionalismo, a cultura é o elemento que dá coerência e coesão a um grupo/organização. Está relacionada à ordem social, equilíbrio e estabilidade.
• Já o Interpretativismo diz que a cultura é expressão do humano por símbolos socialmente construídos, cujos significados são compartilhados.

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NÍVEIS DE CULTURA
Edgar Schein define cultura como as suposições e crenças básicas e profundas que são compartilhadas por membros de uma organização. Para entender os diferentes componentes da cultura, ele a diferencia em três níveis:
  1. Representam artefatos, como recursos visíveis de uma organização (estrutura física, arquitetura, uniformes e design interior). Esse nível é facilmente observado, mas não revela muito da cultura organizacional
  2. Refere-se a valores . São os a faceta não visível da cultura que abrangem as normas e crenças que empregados expressam quando discutem problemas organizacionais.
  3. São as suposições “escondidas” entre recursos e valores. É o nível mais importante, porque inclui o que forma a visão, as crenças e as normas dos membros, que guia o seu comportamento mesmo sem ser explicitamente expressado. Molda o processo de decisão quase invisivelmente, tendo o maior potencial de transformação, mas é difícil de ser observado e ainda mais de ser mudado.

FUNÇÕES DA CULTURA
• A cultura proporciona senso de identidade, como hábitos comuns de uma empresa: uniformes, linguagem e gírias próprias.
• Facilita o comprometimento com algo maior que não apenas interesses individuais, incentiva a fazer mais.
• Estimula a estabilidade social, ou seja, os comportamentos são previsíveis, que podem ser vistos através dos calendários com datas fixas e “ritos” (na Luigi Bertolli , por exemplo, todos funcionários se juntam antes do turno e cantam o hino motivacional da loja: "Força, Garra, Determinação, Nós somos da Luigi, Nosso Lema é Vibração. Qualidade, Preço Justo e benefícios do Cartão. O bom atendimento é nossa missão. É uma família unida com a alegria de viver..." . Essa é uma tentativa de fazer com que os funcionários sintam-se motivados e pertencentes a um grupo.)
Cultura forte: as organizações que possuem uma cultura forte tendem a apresentar um desenvolvimento superior, além de mais motivação, pois a missão e os valores da empresam estão alinhados com os trabalhadores.

DISFUNÇÕES DA CULTURA FORTE
Segundo a perspectiva de teorias que argumentam que a cultura organizacional é
fragmentada, a cultura não é claramente consistente ou claramente contestada, afirmando que culture does not make us free, only confused. Assim, visto que a cultura não pode ser claramente definida por conta de sua ambiguidade, certamente não pode ser a cura de doenças corporativas, como é afirmado por muitos que defendem a unidade cultural como uma receita para o sucesso de empresas.
• Muito consenso e homogeneidade em uma organização podem facilmente levar a
blind spots , ou seja, suposições convencionadas que não são mais necessariamente verdadeiras (segundo a descrição de Michael Porter ). Pode-se relacionar também com o termo group think.
• Forte barreira à mudanças, como por exemplo, em junções de empresas. Muitas vezes há uma grande dificuldade em estabelecer uma única cultura.
• Barreira à assimilação de pessoas/idéias novas, à diversidade.

Mais do que cultura organizacional, as crenças (leia-se, resistências) com que nos deparamos ao nível individual, dentro (e fora) das organizações, são notórias nesta colecção de expressões comuns que se ouvem com demasiada frequência nas organizações.
Mais do que cultura organizacional, as crenças (leia-se, resistências) com que nos deparamos ao nível individual, dentro (e fora) das organizações, são notórias nesta colecção de expressões comuns que se ouvem com demasiada frequência nas organizações.


ESTRATÉGIA: Ambiente e cultura organizacional
Ambiente estável (modelo mecânico): tem-se clareza de direção e grupos de trabalho estáveis.
Ambiente dinâmico (modelo orgânico): valorização da iniciativa individual, alta capacidade de resolução de conflitos,além de orientação para a ação.

RECURSOS HUMANOS ATÉ 1980
• O recrutamento e seleção era baseado no estabelecimento e confronto de perfil e valores da empresa.
• Treinamento e desenvolvimento dos membros eram estabelecidos através de perfis-modelo.
• Havia sistemas de recompensas para aqueles que se mostrassem comum rendimento superior ou atingisse as metas.
• A recuperação dos desviantes era uma forma bastante comum, servindo de "contra-exemplo" pros demais.
• Os rituais das organizações se consistiam basicamente em eventos e festas.

RECURSOS HUMANOS DEPOIS DAS CRISES E MUDANÇAS
• Neste momento, os vínculos passam a ser de curto prazo.
• E a empregabilidade é o termômetro nos processos de seleção.
• Desta maneira, prega-se a eficiência, para ajudar no corte dos custos.
• Perda de espaço nas empresas para a terceirização.
• Mudança de nome: Gestão de pessoas.
• Foco em elevar a produtividade e valor agregado na organização: não existe mais uma área de RH e sim pessoas de RH expalhadas pelas áreas da empresa.


CASO ILUSTRATIVO

O vídeo dos macaquinhos ilustra como a cultura tem uma formação com raízes em necessidades e causas explícitas, mas com o passar do tempo, as práticas deixam de ser questionadas e tornam-se automáticas. Esta tendência de uma forte cultura institucional, por um lado fornece identidade e caracteriza o grupo, mas por outro, tem impacto negativo fazendo com que as pessoas sejam avessas à mudanças e não questionem o que está institucionalizado. Este é um exemplo lúdico do conceito de isomorfismo normativo trabalhado no capítulo 2. Também relaciona-se com a ideia de embeddedness.


(Explicação de cultura organizacional)


COMENTÁRIOS E CONCLUSÕES SOBRE O TEMA


EQUIPE - harmonia, clareza de direção


(Torcida organizada)


CULTURA ORGANIZACIONAL - fortalecimento de vínculos, questão do pertencimento valorizada pelo jovem. Conceito de interpretativismo em que uma organização não tem uma cultura, ela em si é a cultura. O vídeo da Tatubola permite entender como os alunos da instituição interpretam o meio em que estão inseridos. Fortalecimento individual por uma cultura de força, desempenho superior, status.


(Tatubola FGV)
Capítulo 2

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Cultura Organizacional tem poderes para influenciar todas as ações de uma organização. Isso porque está relacionada com a identidade da organização e seus valores e, portanto, é refletida nas ações individuais. Assim, a cultura direciona as ações individuais cotidianas para o elemento e objetivo central, que é coerente com a cultura organizacional. Além disso, segundo a visão funcionalista, a cultura reflete-se também no desempenho da organização por estar relacionada à ordem social, equilíbrio e estabilidade da mesma, podendo potencializar sua performance.

Segundo Hofstede, a cultura organizacional deve ser analisada de acordo com o país onde se hospeda a organização.Isso foi concluído com sua pesquisa que comparou as culturas da IBM nos 40 diferentes países em que a empresa atua, constatou-se que a cultura nacional influencia bastante na cultura organizacional e que organizações são manifestações de culturas nacionais.

Pelo ângulo da gestão, gerir uma organização significa construir uma cultura e fazer os valores claros, transmitindo-os e reforçando-os, além de também ser responsável pela formação da identidade organizacional, que tem potencial para incentivar o espírito de grupo, aumentar o comprometimento e satisfação dos funcionários ao trabalharem para a organização.

A cultura capta as maneiras pelas quais as pessoas são capazes de fazer sentido a sua gestão e estar sendo geridos. A administração moderna envolve a criação de soluções criativas de destruição de receitas e práticas existentes incorporadas pelas culturas. Dessa forma, a cultura engloba padrões importantíssimos que moldam a realidade organizacional.



MATERIAIS EXTRAS:

Professora Maria Ester de Freitas: Professora do departamento ADM da Fundação Getulio Vargas:

http://www.gv.br/nova_intranet/Disciplinas/material/default.cfm

--> Abrir pasta CMCD_ADM_Intercultural

--> Materiais relacionados: Cultures and Organization, As Organizações como espaço do Homem e O Relacional na Cultura Brasileira e sua importância (Neste material há resultados de uma pesquisa realizada em 2003 com professores e alunos da FGV. Podemos notar que os resultados não são tão condizentes com a realidade, uma vez que é muito comum a existência de competitividade entre colegas, mesmo muitos assumindo que não há. Abaixo há uma tabela com resultados preliminares):

Assumo competição
4% sim
53% depende
Evito competir com colegas:
60% sim

$ é bom, mas paz é melhor:
78% sim

Adoro meu trabalho, mas não “morro” por ele:
66% sim
33% depende
A vida é prá ser gozada, o trabalho deve ser divertido:
62 % sim
33% depende


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALCADIPANI, R. e CRUBELLATE. "Cultura Organizacioanal: generalizações improváveis e conceituações imprecisas" vol 43, no. 2, disponível em http://www16.fgv.br/rae/artigos/1419.pdf

BARBOSA, L. "Cultura e Empresas"

CHEIN, E., "Cultura Organizacional e Liderança".

CLEGG, S., KORNBERGER, M., PITSIS T. "Managing and Organizations - An Introduction to Theory and Practice", Part II Managing Organizations, Chapter 8 "Managing Cultures"

HOECKLIN, L. "Managing Cultural Differences: Strategies for competitive advantage".


HOFSTEDE, G. "Culture's Consequences: Comparing values, behaviors, institutions and organizations across nations".

http://en.wikipedia.org/wiki/Blindspots_analysis
http://en.wikipedia.org/wiki/Michael_Porter
http://www.luigibertolli.com.br/
http://www.treebranding.com/blog/?tag=dna-organizacional